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Como nos refere www.ericdigests.org a combinação de situações que pode conduzir à problemática da multideficiência é muito diversa, podendo causar problemas muito complicados, os quais não podem ser integrados em programas educativos especificos para apenas uma das deficiências que apresentam.
Como refere Nunes (2005) são crianças/jovens que apresentam "necessidades educativas especiais de alta intensidade e baixa frequência, decorrentes de acentuadas limitações cognitivas associadas, a limitações nos domínios motor ou sensorial” (p.62).

As experiências de vida destas crianças e jovens são condicionadas pelas suas limitações motoras, cognitivas, linguísticas e sensoriais, as quais prejudicam o seu desenvolvimento e aprendizagem e
condicionam as interacções com o meio. Por isso necessitam de apoio constante de terceiros para poderem participar nas actividades diárias tais como, a alimentação, a higiene, a mobilidade, o vestir e o despir, etc.

Em termos gerais as suas características resultam da combinação das suas limitações, da idade em que estas surgiram e das experiências por si vividas, o que as torna então uma população bastante heterogénea, como se ilustra na figura seguinte.

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Apesar da heterogeneidade é comum esta população manifestar algumas características comuns como sejam:

  • acentuadas limitações aos níveis das funções mentais;
  • muitas dificuldade na comunicação e linguagem (normalmente estes alunos não usam a linguagem oral para comunicar);
  • dificuldades na mobilidade;
  • limitações nas funções visuais ou auditiva;
  • problemas de saúde (epilepsia e problemas respiratórios).

No domínio da actividade e da participação estes alunos revelam dificuldades em:
  • interagir e compreender o meio que os rodeia (em resultado do seu desenvolvimento comunicativo);
  • seleccionar estímulos importantes;
  • compreender e interpretar a informação recebida (como consequência das suas limitações e da vivência de poucas experiências);
  • adquirir e manter as competências aprendidas;
  • manter a concentração e a atenção;
  • tomar decisões sobre a sua vida;
  • resolver problemas.

Como nos dizem Amaral et al (2004) estas limitações resultam de dificuldades:
  • em aceder à informação existente no ambiente;
  • em dirigir a atenção para estímulos relevantes;
  • na interpretação da informação;
  • na generalização.

Em termos geriais, e como se representa na imagem seguinte, as características destas crianças e jovens dependem essencialmente das suas condições de saúde e dos factores ambientes, que podem constituir-se como barreiras ou como facilitadores.
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Assim, o seu nível de desenvolvimento e funcionamento depende da(o):

  • forma como a gravidade e a extensão das deficiências se articulam;
  • idade em que surgiram as dificuldades;
  • qualidade das experiências vivenciadas;
  • exigência dos ambientes;
  • acesso a recursos, informação e interacções significativas.


Necessidades dos alunos com multideficiência


Gostaríamos de referir que as necessidades básicas são comuns a todas as pessoas, independentemente das suas características pessoais.
As características especificas destes alunos, nomeadamente no que diz respeito às limitações e dificuldades condicionam a forma como compreendem o mundo, pelo que necessitam ainda de:

  • ter mais experiências significativas para manterem as competências já desenvolvidas;
  • vivenciar situações idênticas em diferentes contextos que facilitem a generalização de competências;
  • alargar a sua participação em actividades desenvolvidas nos ambientes naturais;
  • ver utilizados processos comunicativos eficientes, assim como o ensino directo de competências, na medida em que estes alunos não realizam aprendizagens ocasionais e espontâneas;
  • desenvolver competências que lhes proporcionem um futuro melhor.

Para isso é essencial criar oportunidades para poderem:

  1. vivenciar experiências reais e significativas em diferentes contextos;
  2. interagir com pessoas e objectos significativos;
  3. ter ao seu lado parceiros que, não só os apoiem nas actividades necessárias, mas que também os levem a participar activamente.

Este alunos necessitam igualmente de serviços de apoio específicos para beneficiarem o mais possível das oportunidades educativas e conseguirem ter sucesso nos contextos educativos que frequentam. A maioria necessita de opções curriculares específicas e de práticas de ensino altamente especializadas
.

É igualmente importante:
  1. garantir que a informação fornecida e as competências a desenvolver são úteis e contribuem para aumentar a sua independência na vida futura;
  2. garantir oportunidades de generalização das aprendizagens realizadas;
  3. transmitir informação usando formas de comunicação que respondam às suas necessidades individuais.

De modo a alcançarem o sucesso nos contextos educativos as crianças e os jovens com multideficiência necessitam de:

  • viver situações de aprendizagem que garantam a sua participação em actividades realizadas em contextos reais e diversificados, que privilegiem a sua mobilidade e a interacção através de formas de comunicação eficientes;
  • opções curriculares adequadas às suas características e necessidades (focalizando-se o currículo nas áreas da comunicação e da orientação e mobilidade);
  • práticas de ensino especializadas que “fujam” das abordagens tradicionais e que se centrem em actividades naturais. Como sublinham Amaral e Nunes (2008) a actividade, o movimento e a comunicação apresentam-se como uma tríade importantíssima para a realização do Programa Educativo Individual;
  • oportunidades para acederem a informação significativa que os ajudem a compreender melhor o mundo onde se encontram e a interagirem com pessoas significativas que lhes proporcionem experiências de vida reais;
  • serviços e apoios específicos.

De referir ainda que necessitam de respostas educativas bastante flexíveis, o que passa pela utilização de estratégias e materiais diversificados e adequados a cada criança e jovem e tentarem responder às suas necessidades individuais, da sua família e ao seu estilo de aprendizagem. É também fulcral que todos os intervenientes na sua educação (família, profissionais da educação, da saúde, da segurança social, etc.) trabalhem em conjunto.


Concluindo, ao delinear as respostas educativas para estas crianças e jovens é preciso ter-se em atenção que as mesmas devem ter como finalidades o ajudá-las a alcançar do maior nível de:
  • independência e autonomia possíveis;
  • participação na vida da comunidade;
  • vivência de aprendizagens significativa;
  • progresso na compreensão do mundo;
  • competências comunicativas e de movimentação.


Autores:
Ana Coelho, Inês Dias, Susana Garnacha, Luísa Leitão e Isabel Bucho


Referências Bibliográficas:
  • Amaral, I.; Elmerskog, B.; Tellevik, J.; Drave, D.; Fuchs, E.; Farrelly, A.; Prain, I.;Storani, E.; Ceccarani, P. e Skalická, M. (2006). Participação e actividade para alunos com multideficiência e deficiência visual. IMPACT MDVI. MDVI Euronet. Sócrates Comenius. Edição Bentheim. Wurzburg.
  • Amaral, I. e Nunes, C. (2008). Educação, multideficiência e ensino regular: um processo de mudança de atitude. Revista Diversidades, Abril, Maio e Junho de 2008, Ano 6 – N.º 20, pp. 4-9.
  • Amaral, I.; Saramago, A. R.; Gonçalves, A.; Nunes, C. e Duarte, F. (2004). Avaliação e intervenção em multideficiência. Centro de Recursos para a Multideficiência. Lisboa: Ministério da Educação. Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
  • Nunes, C. (2008). Alunos com multideficiência e com surdocegueira congénita – organização da resposta educativa. Lisboa: Ministério da Educação. Departamento de Educação Básica.
  • Nunes, C. (2005). Os alunos com multideficiência na sala de aula . In Sim-Sim, I.(Org.) Necessidades Educativas Especiais: Dificuldades da Criança ou da Escola? Lisboa: Texto Editores.