MD_foto.jpg


Comunicar é um processo de troca de informação usado por parceiros para influenciar o comportamento de outros (Orelove & Sobsey, 1991) e requer uma complexa combinação de capacidades: motoras, cognitivas, sensoriais e sociais, encontrando-se relacionada com todas as áreas do desenvolvimento (Amaral, 2002).

A comunicação constitui uma poderosa ferramenta para se estabelecer interacções e se aceder ao mundo, é uma capacidade essencial para a aprendizagem ocorrer e permitir melhorar a qualidade de vida, pelo que deve
constituir a primeira prioridade e o centro de toda a intervenção (Nunes, 2007).

Por razões várias, muitas crianças com multideficiência, manifestam frequentemente dificuldades na linguagem oral. Assim, é importantíssimo criar situações de comunicação no desenvolvimento de todas as actividades. Nunes (2001) releva para a importância de considerar as formas de como transmitir a informação permitindo que a criança antecipe o que vai acontecer. Essa previsibilidade ajudará, posteriormente, na exploração do mundo.

A comunicação poderá acontecer a um nível mais básico, sendo que as primeiras razões que podem levar a criança a comunicar são para realizar pedidos. Mas, é igualmente importante ensiná-la a responder (ex. sim, não…), a cumprimentar pessoas, etc.
No âmbito da comunicação não verbal, designadamente, na tentativa de se dar significado a todos os momentos e torná-los potencialmente comunicativos. Amaral et al. (2004) refere que a escolha dos modos de comunicação que uma criança irá usar tem que ser um processo individual que terá que ter em conta os seguintes basicamente as capacidades da criança em vários domínios.


A comunicação compreende duas vertentes: a receptiva (compreensão da mensagem transmitida) e a expressiva (produção de mensagens). As crianças com multideficiência podem usar comportamentos diferentes nestas duas vertentes (simbólicos e não simbólicos como sejam o olhar, os movimentos, as expressões faciais, o toque e as vocalizações).

O processo comunicativo exige ter algo para dizer (função comunicativa), ter uma forma de o fazer (forma de comunicação) e acontecer num determinado contexto, como se evidencia no esquema que a seguir se apresenta.
esquema.jpg


É fundamental para o desenvolvimento da comunicação que a criança tenha ao seu dispor as formas de comunicação que lhe são mais adequadas para poder comunicar. Para haver uma comunicação eficaz é importante haver partilha de atenção conjunta e de tópicos de comunicação e usar-se formas de comunicação que ambos os interlocutores compreendam.

Para ter assuntos de que falar é necessário que se procure a melhor forma de proporcionar à criança/jovem experiências significativas, organizadas e diversificadas e transmitir-lhe a informação usando formas de comunicação que respondam às suas necessidades individuais (Amaral et al., 2004).


Autores
Maria José Machado, Isabel Bernardo, Jacinta Rente, Madalena Casado, Mª Isabel Camalhão e Rosa Soares




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Amaral, I. (2002). Characteristics of Communicative Interactions Between Children with Multiple Disabilities and their Non-Trained Teachers: effects of an intervention process. Tese de doutoramento, não publicada. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação Universidade do Porto. Porto.
Amaral., Gonçalves, A., Nunes., Duarte, F. & Saramago, A. R. (2004). Avaliação e Intervenção em Multideficiência. Centro de Recursos para a Multideficiência. Ministério da Educação. Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Direcção de Serviços de Educação Especial e do Apoio Sócio Educativo.
Lisboa.