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Para organizar uma rotina diária ou semanal de uma criança com multideficiência é fundamental adequá-la à especificidade e às suas características individuais e partir das suas experiências reais nos ambientes naturais para definir horários para a organização das diversas actividades tendo sempre como base da intervenção o desenvolvimento da comunicação.

Nas actividades de rotina diária a criança pode praticar as competências todos os dias em situações significativas e não apenas quando o adulto trabalha com ela. Ex: Comer; Ir à casa de banho; Vestir; Tomar banho.

As rotinas regulares proporcionam segurança às crianças e ajudam-nas a antecipar os acontecimentos. A previsibilidade da sequência ajuda a tornar o ambiente educativo securizante para a criança já que lhe permite ter algum controle sobre o ambiente.

A previsibilidade das rotinas aumenta as capacidades da criança para participar mais activamente nas actividades permitindo-lhe ter algum controle sobre o ambiente e estar motivada para participar nelas mais activamente.

Usando as ocorrências naturais da rotinas è possível criar oportunidades da criança se envolver em aprendizagens que sejam significativas para elas.

Para Milles & Riggio (1999) a comunicação é a ligação ao mundo que nos rodeia.

A comunicação deve ser a área central do currículo dos alunos com multideficiência ou com surdocegueira congénita
Devem ser proporcionados ambientes ricos em comunicação com condições para os alunos desenvolverem competências comunicativas básicas, por exemplo:

  • prestar atenção a pessoas e objectos
  • comunicar intencionalmente
  • perceber as rotinas e serem capazes de as alterar
  • antecipar acontecimentos
  • pegar a vez

Não podemos isolar a comunicação das actividades que desenvolvemos com estes alunos. A comunicação acontece ao longo das actividades diárias da criança. Para Blaha & Moss (s.d) as crianças beneficiam se aprenderem através das rotinas.

As rotinas diárias deverão servir de base à organização das respostas educativas para os alunos com multideficiência. Ao planificar as rotinas a equipa deverá ter sempre presente alguns aspectos tais como:
  • se o aluno participa activamente nas actividades,
  • se o aluno tem experiências diversificadas,
  • se as actividades são significativas para o aluno,
  • se o tempo de duração das actividades é adequado,
  • se as actividades proporcionam oportunidades de aprendizagem,
  • se há alguma competência relevante que não tenha oportunidades suficientes para o aluno praticar.


É, no entanto importante ter sempre presente que a rotina poderá ser modificada tendo em conta a avaliação do funcionamento das estratégias.

Alguns documentos que abordam esta temática:
http://www.tsbvi.edu/Outreach/seehear/winter06/learning-span.htm

http://tactics.fsu.edu/modules/modThree.html

http://www.tsbvi.edu/Education/vmi/routines.htm

Autor: Ana Margarida Costa