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Educação de Alunos com Multideficiência - aspectos gerais


A educação de alunos com multideficiência implica ter em consideração determinados princípios e pressupostos básicos, os quais decorrem muito das características destes alunos. A combinação adequada destes princípios e pressupostos vai permitir e sustentar a organização da resposta educativa que as limitações a que estão sujeitos exige.

Para Nunes (2008) todas as pessoas partilham as mesmas necessidades básicas, independentemente das suas características e condições de partida. Todo o ser humano, para se desenvolver necessita de ter experiências ao longo da vida que permita:

  • ser autónomo e independente;
  • ter a sua individualidade;
  • ser aceite e amado através da sua presença e participação na família e na comunidade;
  • ter estabilidade;
  • crescer e a aprender;
  • sentir segurança
  • ser respeitado enquanto pessoa.

Ainda segundo a mesma autora, a maior diferença é que quem tem deficiência (nomeadamente os com multideficiência) não consegue (em muitas situações) criar e participar em situações e experiências que lhes permitam responder a algumas ou a todas as suas necessidades básicas. Por conseguinte, é essencial pensar como é que os contextos educativos podem ajudar essas pessoas a satisfazer essas e outras necessidades básicas, a terem uma melhor e mais significativa participação nas actividades diárias, assim como a compreender melhor o mundo onde se encontram.

Na educação destes alunos é necessário encontrar o meio o menos restritivo possível e simultaneamente o mais adequado para responder às suas necessidades específicas, ou seja, o meio que ofereça mais condições humanas e materiais para proporcionar uma educação de qualidade que ajude o aluno a ter sucesso social e escolar (Jackson, 2005 cit. in: Nunes, 2008). Numa escola de qualidade para todos os alunos o seu currículo deve ainda:

  • ser flexível para que responda à diversidade destes alunos;
  • criar condições para que cada aluno possa envolver-se activamente no processo de aprendizagem.

Para compreender as suas capacidades e responder adequadamente às suas necessidades únicas, é essencial proporcionar-lhes uma educação de qualidade, o que implica ter em consideração, entre outros, os seguintes aspectos:

  • analisar a educação destes alunos a partir de múltiplas perspectivas e enquadramentos alternativos, que diferem das abordagens tradicionais;
  • proporcionar serviços educativos e apoios adequados e eficazes;
  • desenvolver um trabalho de carácter colaborativo que envolva todos os intervenientes na sua educação (família, profissionais da educação, da saúde, da segurança social, entre outros).


A educação inclusiva, enquanto processo contínuo de melhoria da escola, pode contribuir para a promoção da participação e a aprendizagem de todos os alunos, sendo que uns necessitam de muitos mais recursos (humanos e materiais) do que outros. Nunes (2008) refere que as limitações a que os alunos com multideficiência estão sujeitos e as dificuldades que enfrentam determinam a necessidade de se organizarem as respostas educativas, de forma a que sejam evidentes os seus progressos, pelo que é necessário analisar a sua educação, a partir de várias perspectivas, tendo em conta enquadramentos alternativos que sejam diferentes das abordagens tradicionais.

É fundamental proporcionar a estes alunos serviços educativos e apoios adequados e eficazes. Para tal é necessário que os profissionais se encontrem preparados para responder às suas diferenças individuais, criando opções curriculares específicas e desenvolvendo práticas de ensino altamente especializadas.

Para Jackson (2005, cit., in: Nunes 2008) na educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita é necessário encontrar o meio o menos restritivo possível e simultaneamente o mais adequado para responder às suas necessidades específicas, ou seja, o meio que ofereça mais condições humanas e materiais para proporcionar uma educação de qualidade que ajude o aluno a ter sucesso social e escolar.

Nunes (2008) sublinha o facto de ser necessário implementar respostas educativas altamente flexíveis, que utilizem materiais e estratégias diversificadas e adequadas às características de cada aluno, de forma a minimizar as barreiras colocadas à sua aprendizagem, tornando-se premente que os ambientes de aprendizagem apoiem a sua educação e o desafiem a aprender. Segundo esta autora, na educação destes alunos é fundamental organizar e implementar respostas educativas que:
  • respondam às necessidades específicas de cada aluno e ao seu estilo de aprendizagem, bem como às necessidades da sua família;
  • proporcionem experiências diversificadas e significativas;
  • ajudem os alunos a participarem activamente nas actividades que desenvolvem nos diversos contextos;
  • proporcionem oportunidades de aprendizagens significativas;
  • promovam a independência e a autonomia dos alunos;
  • disponibilizem os apoios de que necessitam;
  • assegurem um progresso efectivo;
  • criem oportunidades de acederem ao currículo comum, sempre que possível.

A educação destes alunos nos contextos regulares de ensino pode ser efectivada através da criação de unidades de apoio. Ao longo dos últimos anos, o Ministério da Educação criou uma rede de Unidades Especializadas para Apoio à educação de Alunos com Multideficiência e Surdocegueira congénita em escolas ou agrupamentos de escolas, com vista a concentrar meios humanos e materiais que possam oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos (ver a página relativa à inclusão destes alunos no ensino regular).

A nível nacional, verificamos que existe uma preocupação cada vez mais evidente em garantir a qualidade da resposta educativa aos alunos com multideficiência e surdocegueira congénita, em escolas ou agrupamentos de escolas, segundo os princípios da Educação Inclusiva.



Autores: Isabel Bucho e Luísa Leitão


Pressupostos Básicos a considerar na educação destes alunos

Para além dos aspectos já assinalados Nunes (2008) indica que:
    • A sua educação deve orientar-se por modelos centrados na participação e actividade e não apenas no desenvolvimento;
    • As acções desenvolvidas pela escola têm de ser consideradas numa perspectiva de alargamento da sua participação e actividade em ambientes significativos;
    • Um programa de qualidade inclui oportunidades de aprendizagem centradas em experiências da vida real;
    • A comunicação deve ser uma área a desenvolver em todas as actividades;
    • O ensino deve ser individualizado e implementado de uma forma sistemática;
    • Os ambientes de aprendizagem devem ser estruturados de modo a responderem às suas necessidades específicas;
    • Os contextos educativos devem envolver estas crianças e jovens nas actividades para que possam participar activamente na aprendizagem e sentirem-se aceites no grupo de pares;
    • A definição das competências a desenvolver nos alunos, considerando as necessidades para o seu funcionamento futuro.

Autor: Maria José Machado



Referências Bibliográficas


  • Amaral, I.; Saramago, A. R.; Gonçalves, A.; Nunes, C. e Duarte, F. (2004). Avaliação e intervenção em multideficiência. Centro de Recursos para a Multideficiência. Lisboa: Ministério da Educação. Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular. Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
  • Nunes, C. (2008). Alunos com multideficiência e com surdocegueira congénita – organização da resposta educativa. Lisboa: Ministério da Educação. [ http://sitio.dgidc.min-edu.pt/recursos/Lists/Repositrio%20Recursos2/Attachments/770/multideficiencia.pdf ]